Sonho de dormir em uma Casa da Árvore

Pousada na Chapada Diamantina oferece opção de hospedagem a turistas

20 de Outubro de 2016

Ter uma casa na árvore é o sonho de muita gente durante a infância. Já adulto, o empresário Robério Dias transformou essa fantasia em realidade em uma jaqueira centenária. Ele é proprietário de uma pousada no Vale do Capão, na Chapada Diamantina, localizada a 470 km de Salvador, que oferece a hospedagem a turistas.

Com o auxílio de um marceneiro e um ajudante, ele construiu um loft em formato heptagonal com 56 m², todo em madeira, a nove metros do chão. O espaço levou cerca de um ano e quatro meses para ficar pronto e, entre os itens que compõem a acomodação, estão uma cama king size com lençóis de algodão egípcio, ar condicionado, sofá-cama de casal, uma pequena cozinha, uma mesa com bancos de madeira e televisão de LCD.

Os galhos da árvore atravessam o piso e o teto do espaço, e jacas podem ser colhidas de dentro do quarto. Para subir, os hóspedes precisam encarar cinco lances de escada, mas têm como recompensa o luxo de admirar, com exclusividade, 360º de uma bela vista na altura da copa das árvores e a experiência única de viver ‘como se fosse’ o Tarzan.

“Muitas famílias se hospedam aqui para trazer os filhos. As crianças enlouquecem quando veem uma verdadeira casa na árvore”, declara Robério Dias, ao analisar o perfil dos hóspedes que procuram pelo dormitório exótico. Além deste, a pousada tem outras 20 acomodações convencionais, entre chalés, apartamentos e espaço para eventos.

Há pacotes fechados para feriados até o mês de dezembro, que chegam a custar R$ 3.600 por quatro dias. Em período comum, o valor da diária custa R$ 520. A casa da árvore atrai muita gente para a pousada, mesmo quem não pode arcar com o preço um pouco ‘salgado’. “Virou até uma espécie de ponto turístico do Capão”, comenta o empresário.

Turismo no Vale do Capão

O período entre junho e agosto é quando o Capão recebe a maior quantidade de visitantes que vão em busca de trilhas, cachoeiras, ambiente rústico e paisagens naturais. Mesmo com o risco de chover a qualquer momento, nessa época do ano o céu é azul durante o dia e, à noite, a temperatura despenca.

A Cachoeira da Fumaça, uma queda d’água de 380 metros a 1350 metros de altitude, é o ponto turístico mais procurado do local, por onde passaram cerca de 20 mil pessoas durante o ano passado, de acordo com dados da Associação de Condutores e Visitantes do Vale do Capão (ACVVC).

Há uma trilha que leva ao topo da Fumaça e tem duração de duas horas, e outro percurso, para os mais aventureiros, que vai por baixo da cachoeira e dura três dias.

Outra dica de passeio de aventura é a trilha do Vale do Pati, um trekking que dura quatro a cinco dias e está entre os mais procurados do Brasil.

Há cachoeiras mais próximas e de mais fácil acesso, como é o caso do Riachinho, Purificação, Poço da Angélica, Rodas e Rio Preto. A trilha do Morrão, que leva até o poço das Águas Claras, piscininhas com pequena queda d’ água que garantem um banho, também é outra opção de passeio.

Nenhum dos parques cobra pagamento obrigatório para o acesso de visitantes, mas, por questões de segurança, o presidente da ACVVC, Marcos dos Santos, conhecido como Tuza, recomenda a contratação de guias locais. “É a forma mais correta de trilhar na Chapada [Diamantina]. Os aventureiros que têm noção de trilha podem ir sozinhos, mas o mais correto e recomendado é ir com o guia”, orienta.

Os guias da associação têm treinamento de primeiros socorros e curso de competências para atuar em trilhas. O grupo também conta com brigada de incêndio e grupo de busca e salvamento.

Para passeios locais, a diária de um guia custa R$ 80 para grupos de até quatro pessoas. A partir de cinco, é cobrada a taxa de R$ 20 por pessoa. Em trilhas longas, quando é preciso dormir durante o trajeto, o valor do guia fica R$ 80 por pessoa. O trabalho da ACVVC é voluntário, a única maneira de remuneração é o pagamento dos passeios. 

À noite, a vila da cidade é a principal atração, com lojas, bares e restaurantes. Destaque para a pizza natural, feita em forno à lenha, muito conhecida na região, e para o pastel de palmito de jaca, facilmente encontrados com a orientação de nativos.

Para chegar ao Capão de carro, o visitante vindo de Salvador deve ir pela Estrada do Feijão até o município de Ipirá, e pegar a BR-242 em Itaberaba até chegar em Palmeiras. De lá são mais 20 km em estrada de barro até o Capão.

O viagem dura, em média, seis horas e as condições da estrada são consideradas boas. De ônibus, uma empresa faz a viagem até Palmeiras, de onde é preciso pegar um transporte até o Capão.